quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Altas Ondas para o Trafaria Praia

Chegada à Bienal de Veneza
O projecto intitulado “Trafaria Praia”, de Joana Vasconcelos, foi o pavilhão mais visitado da Bienal de Veneza. Cerca de 60.000 pessoas já visitaram a embarcação que foi criada pela artista para representar o nosso país na 55ª edição desta exposição internacional de arte. Como conhecedor deste velho cacilheiro, louvo a artista por ter respeitado a história do navio, como o seu nome e as suas cores, e ainda o ter elevado a obra de arte. O cacilheiro vai estar em “La Sereníssima Cittá da Venezia” até ao final de Novembro.

O cacilheiro, que para além de ter o papel de pavilhão representante de Portugal é uma obra de arte em si, exibe a toda a sua volta um painel de azulejos que foi mostrar ao mundo a frente ribeirinha de lisboa, da barra ao estuário, apresentando um grande panorama da cidade vista do rio. O seu interior foi revestido a cortiça nos níveis superiores e é composto por peças no mesmo material. No convés foi criada uma atmosfera uterina, a lembrar o fundo do mar, com têxteis interligados num extenso patchwork com vários tipos de ponto, com diversas formas, em tons de azul, com LED’s incorporados na sua malha. A larga varanda do piso superior recebe a maioria dos eventos, como vários concertos e debates, onde já cantou a artista portuguesa, Ana Moura. O impacto da obra foi tal que a editora Babel já publicou o livro “Joana Vasconcelos: Trafaria Praia”, onde é explicado que o projecto analisa a relação histórica entre Portugal e Itália, que se desenvolveu através do comércio, da diplomacia e da arte e que as duas cidades desempenharam papéis fundamentais na expansão da visão do mundo europeia durante a Idade Média e o Renascimento, redefinindo a imago mundi através do estabelecimento de redes entre o Ocidente e o Oriente.


Para além disso, a projecção que este projecto trouxe à já emblemática carreira de Joana Vasconcelos, que é conhecida por transformar símbolos populares portugueses em peças completamente modernas, usando objectos do quotidiano. Joana teve recentemente, no Palácio de Queluz, uma das exposições mais visitadas do país nos últimos anos, levou-a a abraçar um novo projecto. Joana Vasconcelos quer inaugurar uma fundação que reúna as suas obras e as obras de outros aritstas com que colaborou, assim como criar bolsas de estudo para estudantes de arte. Com esta fundação, a artista quer atingir o estatuto de organização de utilidade pública, tendo que, para isso, ter um funcionamento efectivo e relevante durante, pelo menos, três anos.

Velho Cacilheiro
“Os cacilheiros são barcos que ligam as duas margens do rio Tejo. Como o próprio nome indica, partem de Cacilhas, em Almada, com destino a Lisboa. Outrora, existiram barcos cacilheiros que partiam do Seixal, Montijo, Barreiro, Trafaria e Porto Brandão, actualmente substituídos pelos modernos Catamarans. Todos estes barcos pertencem às empresas Transtejo e Soflusa. Até à construção da Ponte sobre o Tejo (inaugurada a 6 de Agosto de 1966) era a única ligação entre as duas margens do Tejo, em Lisboa”. Esta é a descrição que se pode encontrar no maior aglomerador de factos da internet, mas que nem sempre estão correctamente apurados, o Wikipedia. O Cacilheiro sempre transportou, maioritariamente, habitantes da Margem Sul que trabalham em Lisboa, tornando-se assim num ícone da classe operária e da classe média, ganhando com os anos o estatuto de atracção turística. Os clássicos Cacilheiros, como o Trafaria Praia, há muito que foram substituídos pelos seus irmãos mais modernos na travessia entre Cacilhas e o Cais do Sodré. Os Catamarans só chegaram para acelerar as travessias mais longas, pelo estuário, até ao Barreiro, Seixal e Montijo. A travessia Belém-Porto Brandão-Trafaria é que foi a última a ser actualizada e só disse adeus aos clássicos, definitivamente, em 2009.

Foi nessa travessia que o Trafaria Praia fez as suas últimas carreiras, até 2008. Juntamente com os irmãos gémeos, o Mouraria, o Marvila e o Castelo, que foram construídos em estaleiros alemães e fazem parte de uma série de 5 navios, formam a equipa dos clássicos. O Mouraria continuou a zarpar de Belém até 2009, O Trafaria Praia este encostado até á sua famosa recuperação, o Marvila faz passeios no Tejo mas também dá as últimas, o Castelo faz passeios no Douro com outro nome e o quinto não consegui apurar nem o nome nem o que foi feito dele. Sei que há um barco, dos mais antigos, que foi transformado em restaurante e está no Seixal, mas não consegui saber o seu nome. Os irmãos do meio, que entraram ao serviço em 1980, são os navios Campolide, Dafundo, Palmelense, Seixalense e Sintrense, que pertencem à Classe Cacilhense. Foram construídos pelo Estaleiro FOZNAVE, na Figueira da Foz, pelo Estaleiro Argibay, em Alverca e pelo Estaleiro Naval de São Jacinto e têm capacidade para 476 passageiros distribuídos por quatro salões com instalações sanitárias. A partir de 2003 entraram para a frota os irmãos mais novos, os Catamarans Damião de Goes, Augusto Gil, Miguel Torga, Fernando Namora, Gil Vicente, Jorge de Sena, Almeida Garrett, Fernando Pessoa e Antero de Quental, assim como o Fantasia, que só faz passeios turísticos e é o único que tem um espaço ao ar livre aberto aos passageiros.

Sempre gostei de viajar nos Cacilheiros clássicos. Quando comecei a estudar em Lisboa dava por mim a voltar para casa pelo caminho mais demorado, só para evitar os barcos da classe Cacilhense, e ir por Belém, para poder fazer a viagem no Trafaria Praia ou no Mouraria. Embora o meu destino fosse a Trafaria, devido aos horários muito espaçados demorava sempre mais tempo do que se fosse por Cacilhas, mas já que perco tanto tempo em viagens entre Margem Sul e Lisboa, gosto de o fazer com qualidade. A recuperação do Trafaria Praia pela artista Joana Vasconcelos alegrou-me pela transformação de um barco que sempre gostei em obra de arte. Mas entristeceu-me pensar que o objectivo das empresas de transportes públicos têm, cada vez mais, os seus serviços optimizados para o lucro e para enfiar o maior número de passageiros possível dentro dos seus transportes e, cada vez menos, para a qualidade das viagens. Sempre fui contra o fim do funcionamento dos cacilheiros mais antigos, que proporcionavam uma viagem muito mais bonita, agradável e confortável, mas entendi que já não teriam condições para fazer carreiras. Agora vejo que a sua recuperação é perfeitamente possível e que podem ficar ainda melhores do que seriam. Não digo que todos fossem transformados da mesma forma que o Trafaria Praia, que se trata de um contexto muito específico, mas a sua reabilitação para voltar ás carreiras seria do agrado de todos os utentes, até porque as travessias entre Belém e a Trafaria são mais longas e, por isso, permitem disfrutar da viagem enquanto passeio e não só como deslocação. Para além disso, o volume de passageiros nessa carreira não justifica a optimização da frota para transportar um vasto número de passageiros. Infelizmente para os utentes, as implicações económicas não permitem esse tipo de progresso, e assim, o velho Cacilheiro é elevado a atracção turística ou artística, não tirando o mérito a quem o recupera nesse sentido, mas fica fora do alcance de quem mais o usou, os passageiros.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

TOP10 de solos de guitarra

D.R.
Entre guitarradas icónicas e outras que só soam bem nalgumas cabeças, estes são os meus 10. Quem me dera conhecer todos os solos do mundo e ter mestria para os catalogar por nível de qualidade. Esta escolha não se trata de nada disso. É uma selecção baseada simplesmente nos meus gostos, mas acreditem que não é assim tão fácil, muita coisa bonita ficou de fora, já que 10 é um número bastante limitado, tendo em conta este universo. A outra dificuldade é colocá-los por ordem decrescente. Vou só mostrar os solos, sempre que o Youtube me permitir, quando não permitir digo o minuto em que o solo começa, no entanto, os solos fazem muito mais sentido inseridos no seu contexto musical, por isso, se vos interessar, explorem. Bem... sem mais desculpas, vamos a isso. Se os meus milhares de leitores não acharem justa esta lista comentem por aqui e pelo Facebook, à vontade, e deixem as vossas sugestões.


DEZ. Electric Ligth Orchestra - Mr. Blue Sky
Foi a minha devoção pelo Doctor Who que me apresentou esta banda e descobri que são quase tão acarinhados pelos britânicos como os Beatles. Não sou grande seguidor do seu trabalho mas esta música é especial. O nome não é aleatório, esta música deixa mesmo o céu mais azul para quem a está a ouvir. Energia positiva aqui! Solo aos 1:00.



NOVE. Queens Of The Stone Age - Skin On Skin
Podia fazer um TOP50, ou mais, só com solos destes senhores, mas para as ambições desta lista seria injusto inundar com QOTSA. Sigo esta banda desde que ouvi o "No One Knows" e nunca me deixaram mal, este foi um dos momentos em que a música me entrou por baixo da pele e empurrou os pelinhos para cima. Solo aos 1:25.


OITO. Jimmy Hendrix - All Along The Watch Tower
O Jimmy não podia deixar de fazer parte desta lista, já que o considero um dos melhores guitarristas do mundo. Embora goste de todo o seu trabalho, esta versão do tema de Bob Dylan toca-me particularmente. Já estou a imaginar os eruditos da música a irem aos fagotes com a posição na lista, mas eu não vos devo justificações!!! EHEH!


SETE. Pink Floyd - Shine On You Crazy Diamond
Também não podia deixar de ser. Roger Waters, Richard Wright e David Gilmour criaram esta obra prima, que não podia isolar num solo apenas, já que toda a música é uma combinação de nove peças, e cada segundo é um momento virtuoso. 


SEIS. Queen - Bohemian Rahpsody
Ora! Quem já não trauteou o solo desta obra prima? Para mim é impossível não ser contagiado pela energia que esta guitarrada transmite. É um marco icónico da música internacional, não só o solo mas como toda a composição. Solo aos 1:30


CINCO. Michael Jackson - Beat It
Esta foi das minhas primeiras experiências de Rock. Tinha a cassete VHS do "History" com os vídeos todos, e adorava rebobinar e ouvir este momento vezes sem conta. Ficou entranhado e nunca saiu. É um ícone do Rock, produzido por Quincy Jones, solo composto por Eddie Van Halen e, aqui, interpretado por Orianthi Panagaris, a guitarrista australiana que acompanhou o MJ na sua última tour, "This Is It!".


QUATRO. Queens Of The Stone Age - Little Sister
Não queria repetir artistas, mas não resisti e nem estaria a ser fiel ás minhas convicções. Josh Homme põe-me sempre a abanar o capacete e este é aquele momento que não cansa. É um single do álbum "Lullabies to Paralyze", mas não corresponde ao mito de que o single é sempre a música mais fraquinha do álbum.


TRÊS. Lynyrd Skynyrd - Free Bird
Não conhecia estes senhores para além de "Sweet home Alabama", até ter visto o filme "Devil's Rejects", de Rob Zombie, a partir daí soube que este era um dos melhores solos de sempre.


DOIS. Red Hot Chili Peppers - Scar Tissue
Chega a vez da banda que abriu o mundo do rock para os meus ouvidos. O que vou dizer é muito difícil de avaliar, porque mesmo os meus gostos são flutuantes, mas "Scar Tissue" é uma constante e é, provavelmente, o meu tema preferido de sempre! A maneira como John Frusciante e o Flea se complementam entre guitarra e solo é sempre arrepiante, não importa quantas vezes ouça esta música. E só por isso, vou mostrar uma série de solos ao vivo, que são sempre pérolas únicas.


UNO! Red Hot Chili Peppers - Dani California
Não há momento musical que mexa mais comigo do que o solo deste tema. John Frusciante é eximio, e este resultado final é, com certeza, influenciado pelo facto de este ser o meu guitarrista nº1. Esta banda quase terminou e sofreu perdas para a heroína. Frusciante foi um dos mais afectados (ou o que mais se afectou), mas renasceu, qual Fénix, para se tornar o mestre da guitarra. Cada solo que toca ao vivo é único e essa é a magia de ver Red Hot em concerto.



Estiveram para entrar na lista outros tantos, como o solo da recente "Instant Crush" dos Daft Punk, "Keep The Devil Down", de North Mississipi All Stars, "Taste It", de Jake Bugg e "Touch From Your Lust" de Ben Harper. Entre estas há muitos solos que me dão arrepios, mas acho que a lista corresponde em ás minha convicções. Para vos mostrar todos tinha que fazer, pelo menos, um TOP50, e para isso ninguém tem paciência para me aturar. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Synthetic Sheep


Employees or future slav.. err.. workers! 
Hello there!! What about this for a change? My usual readers will start to complain, but I a very logical explanation for the difference in my writing. Has I've already told here, the two main reasons I started writing this blog are the passion for writing and a way to show my work and my style to any possible employer. So, I remembered a interview I've given, while applying to a marketing communication job in a technology development company, where I faced the whole team (3 or 4 members) that made a very ugly face when I told them I had not written any text in English to show them.

I spent the rest of the interview shaking because I knew the opportunity died when I told them that. When I left the building, I loosened the tie knot and called them a lot of ugly names, those pigs, slave drivers that denied me the opportunity of working for them three months for free (oh yes), even after I told them that I could perfectly write and talk in English, although I could not show them any text. So, this is my effort to never have to pass trough that situation again and convert my self to a happy employee, in my wool coat, hooves and tie.

Possible future employer's face when you don't have a text in English to show
I was very pissed off to realize that the unemployment crisis in Portugal has reached this point. There are so many young workers fresh out of college, searching for a job opportunity, that our lords and masters take the liberty of denying us work for free. The companies discard one trainee after another, without even thinking of paying them, because there are plenty of them in line that don't mind working a few months for free just to pile up curriculum sheets. Even in this legally masked slavery it's hard to fit in. But society has become so synthetic that the set won't change unless we, plastic eating flock of sheep, rise up and start denying them our abilities and competence. But I still need the experience, so here I go, along with the livestock, coming in and out of trains and boats and plains where the quality and comfort is every day more similar to that of cows and pigs going to slaughter houses, getting stocked up in trucks to the sound of the whiplash.

Anyway, now I’ll have to write another English text where I won't use this much adjectives to criticize my possible employers. Maybe I'll start Googletranslating all of my blog texts, so all of my readers can have double the fun in two different languages. Who knows, maybe I'll learn Mandarin.

Yours Truly
One of the Sheep


terça-feira, 17 de setembro de 2013

África já não rende. Vamos atravessar a Rússia!


Hoje tomei conhecimento de uma conferência internacional que vai decorrer entre 8 e 10 de Novembro. “O regresso do Jornalismo: A Grande Reportagem na Era Digital”, na Escola Superior de Comunicação Social, vai contar com os mais variados oradores, a maioria jornalistas com muita experiência, que já tiveram a oportunidade de estar em vários cantos do Mundo e de escrever grandes reportagens. Tiago Carrasco, João Fontes e João Henrriques vão estar lá a falar sobre “A Estrada da Revolução”, uma compilação de histórias da viagem que fizeram pelos países da primavera árabe, para contarem as peripécias das entranhas da revolução. 

A viagem destes três, um jornalista, um operador de câmara e um fotógrafo, começou quando decidiram largar os recibos verdes e “cravar” o caminho, de jipe, até à África do Sul, para chegarem ao mundial de futebol. “Até lá Abaixo” foi o resultado desta viagem, que conta as peripécias da equipa, e que foi o trampolim para o projecto seguinte. Sem um tostão, trabalharam para voltar para casa, mas decidiram dar a volta pelo golfo pérsico e vizinhança e escrever “A Estrada da Revolução”. 

Isto despertou-me o interesse para este tipo de viagens. Em registos editoriais variados, as viagens pelo continente africano são muitas. O Kiko, cozinheiro de profissão, e a Maria, jornalista, estavam por Moçambique, a fazer voluntariado, quando se lembraram de fazer uma viagem por vários países africanos e asiáticos, para descobrir a cultura gastronómica destes continentes. O resultado foi o site, blog e livro “Comer o Mundo”, que junta as suas histórias com as receitas tradicionais, ensinadas por quem as sabe melhor, os locais. Carlos Almeida Carneiro então, deve estar a fazer um passaporte novo. Terminou o curso de jornalismo há mais de uma década e começou a correr o mundo. Entre destinos mais exóticos, teve que parar um tempo por Londres, a trabalhar numa fábrica de salsichas, para amealhar dinheiro para as suas viagens. Ficou conhecido quando pegou numa bicicleta e em mil euros e desatou a pedalar até Dakar, ganhou o prémio de melhor blog 2008 e escreveu o livro com o mesmo nome que o blog “Até onde vais com 1000 euros”. Na sua última aventura, Carlos Almeida Carneiro, filho, pegou em Carlos Almeida Carneiro, pai, de quem herdou os genes de viajante, e foram dar uma volta à África. Desta vez foram de carro e devem ter gasto mais de mil euros. Esta aventura inspirou o livro “Nunca é Tarde”, e terá fomentado alguma obsessão por casas de banho limpas.


Se me vou pôr a falar dos jornalistas aventureiros que escreveram livros de viagens por África do Mundo inteiro, vou ficar com bolhas nos dedos, por isso fico-me só pelos portugueses mais falados. A verdade é que fico com uma pontinha de inveja sempre que conheço mais uma destas histórias. Mas são tantas as histórias de África que sinto que se ficar pelos livros nem é preciso ir lá. O verdadeiro espírito de aventura é ir ao desconhecido. Foi assim que me decidi que, quando me crescerem as joias de família, me vou lançar na minha própria aventura. A receita é simples, é preciso o desprendimento, uma carteira cheia, um “crowdfunding” não era mal pensado, um veículo caricato, um contexto e um percurso. Mas a sensação que tenho é que o Mundo começa a ser pequeno demais, mas ainda não tive o prazer de o conhecer pessoalmente, e como África já começa a não render livros que tragam novidade, fiz um percurso que vai de Lisboa, mais propriamente da Trafaria (daqui para a frente não vou conseguir ser tão preciso), até ao leste europeu, ir até à Rússia profunda, conhecer a Sibéria, descer até à Mongólia, atravessar o Cazaquistão e back to Europe. Parece interessante, ou não? Mas não faço ideia do que estou a dizer, e isso é que o torna mais aliciante. No entanto se souberem de um jornalista que já tenha dado esta volta avisem, não vá eu achar que estou aqui com ideias pioneiras e a fazer figura de urso. E para os meus milhares de leitores, nada de roubar a ideia!!

Código Postal: 1300 Taberna


A minha “allowance” de estagiário não permite fazer rotina na maioria dos restaurantes de Lisboa, pelo menos nos que valem a pena. De qualquer forma, de vez em quando lá me dou ao luxo, sensivelmente uma a duas vezes por ano, o que mostra o quanto as minhas finanças esticam. Já há um ano que andava a prometer uma visita à 1300 Taberna e lá a concretizei. As expectativas eram altas e o resultado não desiludiu. Já conhecia o espaço e o cheirinho da cozinha já me era familiar. Sabia, também, que a garrafeira é motivo de orgulho deste restaurante que habita a LX Factory desde 2011.

O chefe, Nuno Barros, deixou a irmã mais velha, a 2780 Taberna, de Oeiras, e veio assumir o código postal de Lisboa por conta própria. O resultado tem agradado a maioria dos visitantes, a crítica tem sido muito positiva. A ementa varia consoante a época mas o objectivo é sempre pôr criatividade na cozinha tradicional portuguesa. Aconselho chegar cedo para poder aproveitar a esplanada, com um cocktail ou um copo de vinho. Assim que chegamos a taberna surpreende logo, o couvert dá direito a um cestinho de pão feito na casa que é de chorar por mais, onde a estrela é o pão de cerveja Guiness. Para a minha mesa vieram duas entradas: o tomate com ovo, uma versão da tradicional sopa, ou ensopado, que pode vir fria ou quente, e um atum marinado servido com uma bola de gelado de maçã verde. Estava lançado um excelente momento de boa cozinha, que foi seguido por um prato de três carnes com um puré de trufa e cogumelos salteados e um outro de pato que era acompanhado de um foie gras de muito boa qualidade. Na 1300 Taberna o último remate é golo certo. Ao contrário de muitos restaurantes, a sobremesa vale mesmo a pena. Desta vez foi uma versão do Eusébio, que se chama “Eusébio depois das 8” e que ainda não conhecia, um petit gateau de chocolate negro com uma bola de gelado de menta, tudo “homemade” e com a qualidade que faz justiça à fama do espaço. Foi tudo regado com Monte Cascas Colheita Verde Branco 2010, um nome comprido da vasta adega Monte Cascas, que patrocina o WineBar da taberna. O almoço é ainda mais informal e conta com um menu ligeiramente diferente, concentrando-se mais nas saladas, Amburgas e pregos.

O espaço foi decorado por Rosarinho Gabriel, do atelier Coisas da Terra, e é motivo de orgulho dos donos. Muitos relógios e candeeiros, num ambiente de meia luz, trazem muitos turistas a entrar só para tirar umas fotografias. O salão está dividido em duas zonas: O WineBar tem mesas corridas e um ambiente mais descontraído, que permite uma relação directa entre os clientes e o balcão do bar. A zona de degustação é composta por mesas redondas, para momentos familiares, e mesas para dois, podendo assim aproveitar a descontracção do espaço para uma noite romântica. A cozinha não tem segredos e está separada dos clientes por um balcão comprido, onde a equipa de cozinha trabalha, à vista de todos. O serviço é impecável, mas aos críticos implacáveis sugiro que visitem a taberna num dia de semana, evitando a espera e um ou outro embaraço por parte do serviço, que são normais em momentos mais agitados. Como costumo dizer, se vou ao cinema não reclamo da fila, o serviço não pode ser igual com o restaurante cheio ou com o restaurante vazio. Em conclusão, embora as doses não sejam astronómicas, vale a pena jejuar um bocadinho para chegar com fome e aguentar passar pelas etapas todas, cocktail, couvert, entrada, prato principal e sobremesa, regado com uma boa escolha da carta de vinhos ou com um dos refrigerantes clássicos, a groselha, o capilé ou o refrigerante 1300, uma versão caseira do ginger ale.

Se gostaram muito dos produtos servidos na 1300 taberna, podem regressar à LX Factory no dia seguinte e fazer um lanchinho no Mercado 1143, também ao cargo de Nuno Barros, uma cafetaria/pastelaria/mercado onde podemos encontrar o pão, o azeite, o vinho e tantos outros produtos que fazem parte do menu da 1300 Taberna.  

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Um Arrepio pelo MOTELx Acima

ARGHHH!!! Hoje estou a arrepiar-me de medo. É resultado da expectativa para a abertura do MOTELx, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Começam hoje mais cinco dias de terror, dura até domingo e a principal concentração de eventos é no Cinema São Jorge, na Avenida da Liberdade, em Lisboa. É a sétima edição deste festival e conta com a presença de Tobe Hooper, Realizador de “Texas Chainsaw Massacre”, e Hideo Nakata, do “The Ring”. Os dois grandes nomes vão dar masterclasses onde vão falar das suas carreiras.

O MOTELx clama como principal objectivo estimular a produção de filmes de terror portugueses, mostrar as melhores obras de terror produzidas internacionalmente nos últimos anos e contribuir para a formação dos públicos mais jovens e para a contextualização da produção recente, através da programação de retrospectivas seleccionadas. Prova disso é o concurso de curtas portuguesas Prémio Yorn MOTELx, onde vão estar em competição as curtas Bílis Negra”, de Nuno Sá Pessoa, “O Coveiro”, de André Gil Mata, “Desespero”, de Rui Pilão, “Hair”, de João Seiça, “A Herdade dos Defuntos”, de Patrick Mendes, “Longe do Éden”, de Carlos Amaral, “O Monstro”, de Alex Barone, “Nico - A Revolta”, de Paulo Araújo, e “Sara”, de Miguel Ângelo.

Em destaque está a curta “Dédalo”, uma iniciativa inédita, em parceria com a produtora audiovisual Take it Easy, funciona como spot publicitário para o festival, serviu de base para a identidade gráfica do mesmo e vai fazer parte integrante da programação oficial do MOTELx. O spot envolve uma nave, uma tripulante sobrevivente e um monstro, inspirado em “Alien”. Desmultiplica-se em várias versões que serão apresentadas antes das sessões do festival, na TV e em outros suportes. O realizador, Jerónimo Rocha, diz que queria abordar o tema do terror no espaço e voltar á caracterização e ao modelos em látex. O ano passado já tinha feito um spot para o festival que mostrava um gigantesco golem, composto pelos edifícios de Lisboa, a arrasar a cidade. Para os fãs das curtas, vão ser emitidos todos os filmes deste género presentes no festival, em sessões que têm o preço de um euro e meio, na secção “Curtas ao Almoço”, ás 13:15, durante todos os dias do festival.

A secção “Culto dos Mestres Vivos” vai apresentar as obras de Tobe Hooper “Eaten Alive”, “Eggshells” e os três “Texas Chainsaw Massacre”, e vai integrar a masterclass deste dinossauro do terror. “Retrospectivas” é a sessão que vai explorar o trabalho de Hideo Nakata, que para além da sua masterclass, vamos poder ver “The Ring”, “Black Water” e “Chaos”. Para além destes eventos, vão haver workshops de stop-motion e caracterização e sessões de jogos de terror. Há uma secção inteiramente dedicada a Ray Harryhausen, realizador que morreu em Maio deste ano, e que é responsável por obras que vamos poder ver, como “Jason and the Argonauts”, “20 Million Miles to Earth”, “Mighty Joe Young” e “One Million Years B.C.”. A secção chama-se “Lobo Mau” e vai ter lugar no Palácio da Foz, onde está sediada a Cinemateca Júnior.



Da secção de cinema internacional “Serviço de Quarto”, quero destacar alguns filmes que não vou poder deixar de ver. È já hoje, ás 21:30, que decorre a sessão de abertura, com a transmissão da curta “Dédalo” na integra, seguida de “Open Grave”, um filme italiano do espanhol Gonzalo López-Gallego. Sexta-feira á meia-noite temos sessão dupla com o muito esperado “The Conjuring” e ainda “V/H/S/2”. No sábado ás 21:45 não se pode deixar escapar “The Lords of Salem”, uma obra mais pessoal do mestre Rob Zombie, depois de ter dado o seu especial contributo à saga “Halloween”. Ainda quero destacar “Maniac”, em que Elijah Wood faz de um comerciante que suprime instintos homicidas, e o vampiresco “Byzantium”, de Neil Jordan. Há ainda que destacar as secções “Doc Terror”, com três documentários sobre o género, e “Quarto Perdido” que recupera duas obras portuguesas mais antigas, “A promessa” e “O Crime da Aldeia Velha”, tudo numa sétima edição do MOTELx a não perder, que promete meter medo ao susto. AHUUUUUUUUUUUUUUUUHHHH!!

Não consigo mostrar-vos o spot desta edição aqui. Vejam no Facebook do B/R ou no youtube. Fica aqui o spot geral do evento.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Gorillaz: de Londres a Plastic Beach

Não é propriamente novidade, mas não quero deixar de dar a conhecer aos leitores deste blog os trabalhos de um artista que admiro. A sensação que tenho é que Damon Albarn acorda, escova os dentes e faz uma música, come o pequeno almoço, arrota e sai música, sai à rua, cospe para o chão e sai música. Parece que descrevo um tipo mal educado, mas não se trata de uma descrição da pessoa mas sim uma figuração fantasiada por mim de como este senhor parece ter sempre criatividade para mais uma.

O seu percurso começou com as bandas Circus, Real Lives e The Aftermath, mas foi a dar voz aos Blur que o seu nome saltou para as bocas do mundo. Gorillaz era onde queria chegar, uma banda que se formou em 1998, com os membros 2D, Murdoc Niccals, Noodles e Russel Hobbs. São quatro personagens animadas, cujo cérebro é Damon Albarn. Os quatro desenhos animados lançaram o álbum “Gorillaz”, em 2001, e causaram impacto com o single “Clint Eastwood”. Em 2005 voltaram com “Demon Days” e entraram para o Guiness como a banda virtual com mais sucesso de sempre. Jamie Hewlett é o criativo de todo o mundo desenhado, a música fica para Damon Albarn, que apesar de ser o único permanente, conta com a colaboração de inúmeros músicos, com influências dos mais variados estilos musicais.

Desde 2001 que podemos acompanhar as aventuras destes quatro amigos pelos vídeos e pelo website oficial. É em 2010 que chegam os dois álbuns de que vos vou falar mais detalhadamente. “Plastic Beach” pode ser considerado um álbum conceptual, conta a estória de como os nossos heróis, depois de algumas desventuras no desfecho de “Demon Days”, se reencontram na paradisíaca ilha de plástico, encontrada por Murdoc, e onde este escolheu gravar o novo álbum.
Albarn disse "Vou fazer deste album o maior e mais pop que alguma vez já fiz em vários sentidos, mas, com toda a minha experiência, vou tentar apresentar algo com profundidade”. Cumprindo a sua promessa, o àlbum contou com as colaborações de Snoop Dogg, Lou Reed, MosDef, Bobby Womack, Gruff Rhys, Mark E. Smith, Mick Jones, Paul Simonon, Kano, Bashy, De La Soul, Little Dragon, Hypnotic BrassEnsemble, sinfonia ViVA e a Lebanese National Orchestra.

O primeiro single, “Stylo”, com Bobby Womack e Mos Def, foi lançado a 26 de Janeiro de 2010. 2D e Murdoc seguem num carro com uma Noodle-cyborg, que construiram depois da pequena baterista ter desaparecido, como mostra o vídeo de “El Mañana”, ainda no final de “Demon Days”. 2D foi raptado a mando de Murdoc para gravar o álbum. Os três são perseguidos por Bruce Willies e por Boogieman, a quem Murdoc tinha encomendado o rapto de 2D. O carro mergulha de um penhasco para o Pacífico e começa a fuga para a praia de plástico. Já na ilha, em “MelancholyHill” o trio é descoberto e atacado por boogieman e pelos japoneses que querem matar Noodle. Entretanto a verdadeira Noodle, que se pensava morta, já está a caminho da ilha. O navio onde segue é atacado. No single “Rhinestone Eyes” acabada de ser salva por Russel, que ao saber o que estava a acontecer decidiu ir a nado para a ilha. Com as águas do pacífico Russel incha e fica gigante. O grandalhão flutua até á ilha com Noodle “a bordo” e põem fim à guerra. A banda está de novo junta após a “Escape to the Plastic Beach”, que è exactamente o nome da tour que levou os gorillaz pelo mundo fora a apresentar o álbum. De acrodo com Murdoc, Damon Albarn e os seus músicos são uns impostores que estão a roubar o sucesso dos quatro desenhos, que são os verdadeiros autores das músicas.




A queda

È durante a “Escape to the Plastic Beach Tour” pelos Estados Unidos que Albarn (diga-se 2D) grava o álbum “The Fall”, inspirado pelas cidades por onde passa e armado apenas com o seu iPad e as aplicações Speak It! Text to Speech, SoundyThingie, Mugician, Sylo Synthesiser Pro, FunkBox, Drum Machine, AmpliTube, XENON Groove Synthesizer, KORG iELECTRIBE e Mellotronics M3000, entre outros. As críticas dispersaram. Enquanto uns elogiam o álbum pela sua versatilidade, outros dizem que não passa de um esboço. Pessoalmente, temas como "Shytown" e "The Parish of Space Dust" agradaram-me bastante, mas eu já estou habituado a ouvir dizer que gosto de músicas que mais ninguém gosta. Quando se trata de companhia musical lembro-me de um sample utilizado num tema mais antigo destes quatro amigos "Hello!... Is anyone there?".

Depois de "The Fall" a banda começa um hiato que ainda dura. Deixam quatro álbuns que Murdoc faz o favor de atribuir a cada membro da banda. O álbum “Gorillaz” è um espelho das possessões de Russel e dos seus beats. A estrela de Demon days é Noodle, o albúm é gravado nos Kong Studios, onde há uma porta para o inferno, enquanto Noodle viaja na sua ilha voadora “El Mañana” justificando as melodias melancólicas e contemplativas. È a vez de Murdoc pôr a sua alma na música de Gorillaz em “Plastic Beach”, transpondo a sua malícia e o seu gosto pela vida de ócio para o os sons pop deste álbum. “The Fall” é 2D a brincar sozinho, com o seu iPad, a viajar pelos Estados Unidos, influenciado pela paisagem das várias cidades. Até a um possivel regresso, ficamos com G-sides, D-sides, singles como “Do Ya Thing" e “Doncamatic” e a mais recente compilação “Gorillaz – The Singles Collection”.