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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Rehab Urbano à la Lisboeta é no Príncipe Real


Todos os dias que tenho que meter os pés ao caminho para ir para Lisboa trabalhar são uma paulada nas costas. O trânsito e as multidões lixam-me a vida. Como é que é possível demorar tanto a atravessar a ponte e chegar a uma ponta da cidade em tanto tempo como se vai até Castelo Branco? Faz-me perguntar porque é que insisto em trabalhar na capital. 



Lisboa dá-me mais é para laurear a pevide e curtir umas esplanadas, coquitéu e petisco... ai não, tapas... e entrar numas lojas onde não posso gastar um tusto mas em que arregalo o olho. A cidade do dandy por excelência - e nisso ela brilha - muito por conseguir juntar o chic e shock no mesmo largo, na mesma rua, no mesmo bairro.  Um deles - que se veio a tornar o ex líbris dessa faceta da cidade - é o Príncipe Real, vítima do revivalismo, com as velhas fachadas a rejuvenescer e a transformarem-se em espaços trendy, que empinam o nariz aos tugas e que vazam as carteiras aos turistas, mas com muita pinta. São diversos restaurantes de sushi, hambúrgueres gourmet e todos os petiscos que impelem qualquer foodie (excepto os tesos, que até é o meu caso) AH... e cenas tipo de moda e tal. O que é certo é que o bairro é distinto e quem lá vai não vai para ver mais do mesmo.


No cerne da questão está um gajo de stetson hat e cowboy boots - a minha maneira pouco estereotípica de imaginar um americano que nunca vi - que têm posto alguns espaços a brilhar: Entre Tanto Indoor Market e Embaixada são dois projectos da Eastbanc, empresa do norte-americano Anthony Lanier, que vem a promover projetos de reabilitação urbana desde Washington até Lisboa, onde já trabalha há 8 anos. No one and only bairro lisboeta, entre estas duas galerias e outros espaços habitacionais e comerciais, a Eastbanc conta que o investimento chegue aos 200 milhões de euros (qué isso??).

O tendencioso ENTRE TANTO

O Entre Tanto Indoor Market veio reconverter o Castilho Palace, um edifício do século XVIII. É o mais recente espaço comercial projectado pela tal empresa de Washington e já atraiu mais de 20 lojistas independentes que oferecem moda, design de interiores, decoração e petiscos e copos do melhor. 
A ideia, ao contrário do que se passa com o convidado que se segue, foi criar um espaço comercial funcional, com lojas de todos os géneros que fizessem com que os visitantes não quisessem sair de lá se soltar os cordões à bolsa. Moda vintage com a Change, mobiliário vanguardista com a Nichts Neues,  sumos (cagões) detox com a Liquid ou um cantinho com tudo o que põe uma senhora a brilhar, o 4Women, são algumas das opções que valem a pena explorar.



A sumptuosa EMBAIXADA

Em contraste com o estilo funcional e diversificado do Entre Tanto, A Embaixada é um espaço conceptual, dedicado ao produto e empreendimento português, que, apesar de mais empinadote, transpira tanta moda, cultura e lifestyle que dá vontade de um gajo se vestir bem e pôr perfume para dar uma visita e sentar-se numa das esplanadas a ler poesia. O tal americano veio reabilitar o Palácio Ribeiro Cunha, construído em 1857, e está aberto desde o final de 2013. É um conceito de restauração e lojas de marca que se revelam em corners trendy (já mete nojo tanto itálico) e tão bem decorado que apetece ir lá e ficar só a ver (ou isso é a falta de guita?).

Entre detalhes de criatividade e outros clássicos e elegantes, a personalidade destaca-se em marcas tão originais como Amélie au Théâtre, com moda vintage e acessórios femininos, a Organni, com cosmética orgânica para todos os sexos e idades, a VLA Records, que alia a música ao artesanato, o Café Bar Le Jardin, a moda e decoração inspiradas no estilo de vida rural português da Urze ou os designers de Moda da Storytailors. O melhor mesmo é passar por lá e ver tudo com os próprios olhos. A malta vê-se no quiosque para beber um cafézinho e pagam vocês.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Desta Gasosa só Lições de Vida

E não é que eles têm mesmo razão?! Esta campanha da Sumol já tem dois pares de anos, mas é uma verdadeira bufadela vinda do fundo da alma. Tropecei nela hoje de novo e vi-a com outros olhos, sobretudo porque tenho vindo a conhecer um pouco mais de perto o meio onde estas coisas que nos enchem os olhos e ouvidos em meios de comunicação e publicidade são feitas. É um mundo de criatividade e de irreverência e em que patrões querem pessoal dedicado e a pensar fora da caixa e loucos, alucinados, génios da criatividade. A verdade é que por muito génio que seja o tipo com essas características também vai acabar num estilo de vida standard, a ter que vestir bem, trabalhar das 9 às 7 e ir para o conforto das suas pantufas e dos seu sofá, ver telenovelas. Sumol é Sumol e cognac é cognac, gostando ou não o que é certo é que o concelho é para seguir à risca: "Quando esse dia chegar, não lhe fales!". Mas quando o despertador toca, acabas por não poder falar a dia nenhum... ah pois.

Este é o Manifesto que deu origem a todos os outdoors de 2010. Raios me partam se me vejo assim:

"Um dia, o mais provável é tornares-te num chato, deixares de sair à noite e começares a levar-te demasiado a sério. Nesse dia, vais começar a vestir cinzento e beje, pedir para baixar o volume da música e deixar a tua guitarra a apanhar pó. Vais tornar-te politicamente correcto, socialmente evoluído, economicamente consciente.

Vais achar que tens de ir para onde toda a gente vai e assumir que tens de usar fato e gravata todos os dias. Nesse dia, vais deixar de beijar em público, as tuas viagens serão mais vezes no sofá e dormirás menos ao relento. É oficial. Vais entrar na idade do chinelo e deixar de ser quem foste até então. Vais deixar de te sentar ao colo dos amigos, e vais esquecer-te de como de faz um quantos-queres ou um barco de papel. Vais ficar nervosinho se não trocares de carro de quatro em quatro anos e desatinar se o hotel onde estiveres não te der toalhas para o teu macio e hidratado rosto.

Vais tornar-te muito crescido e começar a preocupar-te com tudo e com nada e a não fazer nada porque "vai-se andando" e a vida é mesmo assim. Vais dizer não mais vezes, vais ter mais medo, vais achar que não podes, que não deves, que tens vergonha. Vais ser mais triste.

Nesse dia, o mais provável é que também deixes de beber refrigerantes.

Aqui fica uma ideia: quando esse dia chegar, não lhe fales."

Agora vou fazer um chá e sentar-me no sofá até ficar parecido com ele a papar séries de empreitada!
Farewell!

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

"Isto é o Top do Turismo" dizem os Prémios Publituris Portugal Travel Awards'14

A adivinhar uma grande 11ª edição destes prémios, quem a recebe é o colossal Mosteiro de Alcobaça, Património Mundial da UNESCO, no distrito de Leiria. 19 de Setembro é o dia em que serão premiadas as melhores empresas, instituições, serviços e profissionais que se destacaram no sector do Turismo no último ano. São 18 categorias que vão estar abertas a votações até 15 de Setembro. O meu modelo de viagem funciona mais por meios próprios e com estadias privadas (i.e. fazer-me à estrada e tentar ficar em casa de amigos ou família), mas Os votos dos assinantes vão fazer média ponderada com os votos do Júri, com um proporção de 40-60%.

O jornal Publituris conta-nos porque elegeu o Mosteiro de Alcobaça para receber esta edição "É o primeiro monumento integralmente gótico do País. A Abadia foi fundada em 1153, por doação de D. Afonso Henriques a São Bernardo de Claraval e as obras de construção do actual edifício só se iniciaram por volta de 1178, arrastando-se por várias décadas, em consonância com as dimensões absolutamente excepcionais do monumento. A igreja, com 100 metros de comprimento, representa o maior espaço religioso gótico existente no país. O Mosteiro de Alcobaça integra a Lista do Património Mundial da UNESCO desde Dezembro de 1989 e é Monumento Nacional, desde 1910. Em 7 de Julho de 2007. Foi eleito como uma das sete maravilhas de Portugal." Sendo um lugar com o máximo reconhecimento patrimonial, parece-me lógico que lá se entreguem outros reconhecimentos de uma área para o qual o património é tão valioso.

Na verdade, o jornal Publituris foi um dos primeiros a fazer este tipo de reconhecimento em Portugal. O fundador, Nuno Rocha, e Belmiro Santos organizaram, lá para os anos 70, em Alfama, no antigo restaurante “Cota d'Armas”, os “Melhores do Turismo em Portugal”, percursor do atual evento. O seu sucesso foi grande mas a iniciativa foi descontinuada, só tendo sido recuperada em 2004 como Prémios Publituris, num evento que decorreu no Hotel Corinthia Lisboa. Desde aí que a grande Gala do Turismo em Portugal já passou por grandes hotéis, como o Pestana Palace ou o Grande Real Villa Itália, e também, como este ano, por grandes monumentos, como o Castelo de Palmela ou o Castelo de S. Jorge.

Dos melhores hotéis de 5 estrelas às melhores companhias aéreas, passando pelas melhores agências de viagens, vários são os nomeados, que pode ver aqui e votar ali no seu preferido, depois de assinar a newsletter no site Publituris. E que ganhe o melhor!

Como habitante da sombra desta grande cidade, não deixo de destacar que Lisboa está na corrida aos Prémios Publituris Portugal Travel Awards’14 com 18 nomeações.

Para além de concorrer na categoria na categoria de Melhor Região de Turismo Nacional, a capital ainda leva para Melhor Hotel de 5 Estrelas:


MYRIAD by Sana Hotels | Olissippo Lapa Palace | Onyria Marinha Edition



Para Melhor Hotel de 4 Estrelas: 



Hotel Mundial | Turim Av. Da Liberdade



Para Melhor Hotel 3 Estrelas:



Browns Downtown Hotel | Hotel Dom Carlos Liberty | HF Fenix Garden



E ainda à conquista do galardão de Melhor Resort Hotel está o Penha Longa Resort, de Sintra, na categoria de Melhor Boutique Hotel a região conta com 4 nomeações, o Areias do Seixo Charm Hotel & Residences Hotel, de Torres Vedras, o Bairro Alto Hotel, o Heritage Av. Liberdade e o Vila Galé Collection Palácio dos Arcos, de Oeiras.



Como ainda não chega e mesmo para acabar bem, na categoria de Melhor Design Hotel, Lisboa está representada pelo Altis Belém Hotel & Spa, o Internacional Design Hotel e o Memmo Alfama e concorre também para Melhor Campo de Golf com o Oitavos Dunes, situado em Cascais.


Oitavos Dunes

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Até Onde as Páginas da Pinto Lopes nos Levam

Portugal é um destino de viagens cada vez mais popular, tanto que até a National Geographic Traveler traçou um artigo com os mais rasgados elogios a todos os pontos cardeais deste nosso país, com direito a capa e tudo, oui oui. Da sua beleza não duvido, como já disse mais do que uma vez sou adepto do "Vá para fora cá dentro" e os destinos que alguns consideram coisa meio saloia, para mim são genuínos e têm um carisma particular. Gosto muito disso tudo, mas gosto mais de saber onde é que Portugal me pode levar! Foi a pensar nisso que a minha atenção se despertou para a Pinto Lopes Viagens, nascida na Invicta há 40 anos e que passou de uma brincadeira para organizar umas viagens com os amigos para uma agência com circuitos por todo o mundo, que criou um conceito que passei a considerar um dos mais inovadores no mundo das viagens: as Viagens com Autores. 

E não há melhor que deixar o seu criador, Joaquim Manuel Bismarck Pinto Lopes (doravante Sr. Joaquim, antes que se me acabem os caracteres) contar-nos a história nas suas próprias palavras“Decorria o revolucionário ano de 1974, quando me lancei nesta longa aventura. Chamaram-me louco e provavelmente tinham razão. Eram tempos difíceis, em que a geopolítica transformava fronteiras em barreiras quase intransponíveis. Impunha-se um espírito aventureiro, de mochilas e tendas, sacos-cama e farnéis, autocarros com bagagem no tejadilho e sem ar condicionado. Durante anos, dei a conhecer a Europa a todos os amigos que comigo quiseram partilhar essa loucura. A experiência continuou. Sempre na mira das tendências do mercado, à medida de projetos e impulsos, veio o momento de estabilizar, de dar conforto e segurança ao leque, cada vez maior, de amigos. Seguindo o curso natural dos acontecimentos, em junho de 1994 inauguro o espaço físico, na Rua Alexandre Herculano, a que simplesmente chamei “Pinto Lopes Viagens”.

Em 2012, sem medo nenhum de profecias maias, a agência lançou as “Viagens com Autores”, um conceito que permite aos viajantes conhecer uma brutalidade de destinos fixolas na companhia de um escritor ou de qualquer outra figura reconhecida pelo público. Os autores tornam-se, assim, guias turísticos em viagens que partilham com grupos até 25 pessoas.





Os Mais Ilustres Autores


O conceito começou com Gonçalo Cadilhe, que foi guia em viagens pela Índia de Fernão Mendes Pinto e que continua ainda associado à agência com viagens que vão desde Itália à Indonésia. Depressa se juntaram Raquel Ochoa, profunda conhecedora da Índia portuguesa, que levou os seus parceiros de viagem pelo mundo real que inspirou a sua obra "A Casa-Comboio" e José Luís Peixoto, um tipo que sabe o "Segredo" e que os tem no sitio para entrar umas quantas vezes na Coreia do Norte e expor um ou outro podre que o pacato país tenha.


Qual conceito premium das viagens (way out of my wallet), ainda se vieram juntar mais ilustres à festa: Rui Massena, il Maestro tuga mais conceituado da atualidade e que andou a fazer umas coisas bem giras com bandas como Da Weasel e Expensive Soul, vai levar a clientela da PLV por terras de Mozart e Beethoven para visitar algumas das óperas mais pomposas do velho mundo. Tiago Salazar, escritor viajante que começou como jornalista e autor do programa "Endereço Desconhecido", é um perito no trabalho de Jorge Amado e as suas viagens pela Bahia devem ser uma experiência tótil baril.


O mais recente, e talvez o mais caricato, foi o mui ilustre Fernando Alvim, que vai passar o Halloween com os malucos que o quiserem acompanhar para a Transilvânia, à procura do castelo do Conde Drácula (e enquanto esse dá conta do sangue aos incautos, o nosso vai secar tudo o que é adega romena) e eu cá até ia com ele. 

Não se pense que a PLV é só viagens fancy para carteiras volumosas. Especializam-se ainda em viagens de grupo e têm escolha desde o tal "vá para fora cá dentro" até aos nossos antípodas, com programas muito interessantes e algumas viagens em formato low-cost (still out of my wallet).

Com isto, fiquei a conhecer alguns autores e escritores muito interessantes que ainda hei-de explorar melhor, talvez não neste contexto, em que já têm um papel fundamental.



terça-feira, 29 de julho de 2014

O Gigante de Pedra que 'Guarda' a Serra da Estrela

O meu trabalho é diversificado e entusiasmante, mas passa-se maioritariamente dentro de quatro paredes, o que faz ter cara de lula em pleno verão. No entanto, em alguns momentos, lá me deixa ver a luz do sol por algumas horas e ontem mandou-me ir ver o sol do interior, na Guarda. Depois de cumprida a minha missão laboral ainda tive um par de horas para visitar o centro. Embora seja rendido ao turismo "Vá para fora cá dentro", ainda não tinha tido oportunidade ver esta grande cidade da Beira Alta, erigida num maciço granítico nos planaltos que seguem a nordeste da Serra da Estrela, maioritariamente feita do mesmo material: o granito. 


Como não tinha tempo nem estofo para grandes caminhadas deixei-me ficar um pouco pela praça Luís de Camões, a petiscar numas arcadas, com vista para a Sé, e fiquei ali a olhar com uma curiosidade distraída para aquele gracioso e imponente monte de pedra. Depois dei um passei ali pelo centro sem nunca fazer menção de entrar na Catedral, que só decidi fazer quando já me tinha fartado de andar e vi que ainda me sobrava 20 minutitos.

Valeu-me a viagem: a imponência já grandiosa do exterior não deixa adivinhar o ambiente majestoso do seu anterior, ou então estava mesmo distraído. Entrar na Sé Catedral da Guarda é uma viagem no tempo que corta a respiração, o seu interior é absolutamente medieval em ambiente, mesmo que os pormenores arquitetónicos revelem restauros e reformas mais tardias.


Qual imponente gruta natural, afinal a Catedral é até descrita como um dos mais belos monumentos do seu género, em Portugal. A construção daquilo que vi remonta aos finais do século XIV, durante o reinado de João I, depois de D. Fernando ter dado numa de verdadeiro político e ter prometido sem cumprir a edificação de um novo templo naquela cidade. novo templo. Como a pedra por ali é escassa (ou talvez não tinha sido por isso), só no reinado de D. João III é que a obra acabou, dois séculos corridos, e é por isso que dizem que apresenta elementos do estilo ogival, gótico e joanino, com pormenores de estilo manuelino, sendo que, na minha ignorância da historia da arte e da arquitetura, nem dei por eles.

O portal principal, aparentemente de estilo Manuelino, despertou-me a atenção simplesmente por estar orientado para sudoeste, deixando entrar no templo uma envolvente luz de fim de tarde por um olho vítreo que um dia terá privilegiado de vista para as encostas da Serra da Estrela, mas que com o tempo foi tapada por outros edifícios. Em forma de cruz latina (esta eu sabia identificar), tem três naves, com uma nave central que deixou o peito apertado de me sentir tão pequenino.


O retábulo escultórico que se vê por detrás do altar, vim a descobrir que é da autoria de João de Ruão e as suas figuras mostram uma hierarquia do espaço celeste, foi o remate na minha curta visita, antes de sair ainda sem palavras, mas como estava sozinho também não fazia muito sentido estar para ali a dizer fosse o que fosse. Resumindo, não tive tempo para ver muito mas acho que, vendo a Catedral, vi o essencial.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

África já não rende. Vamos atravessar a Rússia!


Hoje tomei conhecimento de uma conferência internacional que vai decorrer entre 8 e 10 de Novembro. “O regresso do Jornalismo: A Grande Reportagem na Era Digital”, na Escola Superior de Comunicação Social, vai contar com os mais variados oradores, a maioria jornalistas com muita experiência, que já tiveram a oportunidade de estar em vários cantos do Mundo e de escrever grandes reportagens. Tiago Carrasco, João Fontes e João Henrriques vão estar lá a falar sobre “A Estrada da Revolução”, uma compilação de histórias da viagem que fizeram pelos países da primavera árabe, para contarem as peripécias das entranhas da revolução. 

A viagem destes três, um jornalista, um operador de câmara e um fotógrafo, começou quando decidiram largar os recibos verdes e “cravar” o caminho, de jipe, até à África do Sul, para chegarem ao mundial de futebol. “Até lá Abaixo” foi o resultado desta viagem, que conta as peripécias da equipa, e que foi o trampolim para o projecto seguinte. Sem um tostão, trabalharam para voltar para casa, mas decidiram dar a volta pelo golfo pérsico e vizinhança e escrever “A Estrada da Revolução”. 

Isto despertou-me o interesse para este tipo de viagens. Em registos editoriais variados, as viagens pelo continente africano são muitas. O Kiko, cozinheiro de profissão, e a Maria, jornalista, estavam por Moçambique, a fazer voluntariado, quando se lembraram de fazer uma viagem por vários países africanos e asiáticos, para descobrir a cultura gastronómica destes continentes. O resultado foi o site, blog e livro “Comer o Mundo”, que junta as suas histórias com as receitas tradicionais, ensinadas por quem as sabe melhor, os locais. Carlos Almeida Carneiro então, deve estar a fazer um passaporte novo. Terminou o curso de jornalismo há mais de uma década e começou a correr o mundo. Entre destinos mais exóticos, teve que parar um tempo por Londres, a trabalhar numa fábrica de salsichas, para amealhar dinheiro para as suas viagens. Ficou conhecido quando pegou numa bicicleta e em mil euros e desatou a pedalar até Dakar, ganhou o prémio de melhor blog 2008 e escreveu o livro com o mesmo nome que o blog “Até onde vais com 1000 euros”. Na sua última aventura, Carlos Almeida Carneiro, filho, pegou em Carlos Almeida Carneiro, pai, de quem herdou os genes de viajante, e foram dar uma volta à África. Desta vez foram de carro e devem ter gasto mais de mil euros. Esta aventura inspirou o livro “Nunca é Tarde”, e terá fomentado alguma obsessão por casas de banho limpas.


Se me vou pôr a falar dos jornalistas aventureiros que escreveram livros de viagens por África do Mundo inteiro, vou ficar com bolhas nos dedos, por isso fico-me só pelos portugueses mais falados. A verdade é que fico com uma pontinha de inveja sempre que conheço mais uma destas histórias. Mas são tantas as histórias de África que sinto que se ficar pelos livros nem é preciso ir lá. O verdadeiro espírito de aventura é ir ao desconhecido. Foi assim que me decidi que, quando me crescerem as joias de família, me vou lançar na minha própria aventura. A receita é simples, é preciso o desprendimento, uma carteira cheia, um “crowdfunding” não era mal pensado, um veículo caricato, um contexto e um percurso. Mas a sensação que tenho é que o Mundo começa a ser pequeno demais, mas ainda não tive o prazer de o conhecer pessoalmente, e como África já começa a não render livros que tragam novidade, fiz um percurso que vai de Lisboa, mais propriamente da Trafaria (daqui para a frente não vou conseguir ser tão preciso), até ao leste europeu, ir até à Rússia profunda, conhecer a Sibéria, descer até à Mongólia, atravessar o Cazaquistão e back to Europe. Parece interessante, ou não? Mas não faço ideia do que estou a dizer, e isso é que o torna mais aliciante. No entanto se souberem de um jornalista que já tenha dado esta volta avisem, não vá eu achar que estou aqui com ideias pioneiras e a fazer figura de urso. E para os meus milhares de leitores, nada de roubar a ideia!!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Bom Turismo Rural é no Sorilhal

Em Parada de Bouro, no concelho de Vieira do Minho, depois de procurar com muita atenção, podemos encontrar a Quinta do Sorilhal. Embora a dona do espaço diga o contrário, a casa não é muito fácil de encontrar. A D. Fernanda, proprietária desta pitoresca casa de turismo rural, não estava na casa, deu-nos indicações pelo telefone e, quando percebeu que estávamos muito perto, insistiu que era impossível não ver a placa que dizia "Sorilhal".
 


Na verdade já tínhamos passado pela placa algumas vezes e a dita, que deveria ser impossível não ver, era uma pequena caixa de madeira, com a palavra "Sorilhal" pintada a branco, escondida no meio das árvores, que por sua vez escondiam uma imponente casa senhorial do século XVII e um jardim com uma variedade de plantas e flores quase incontável.
A forma como fomos deixados tão á vontade como na nossa própria casa foi a primeira boa surpresa. Porta aberta, quarto preparado, chá e bolo quentes na recepção e a indicação de um restaurante que, apesar do ambiente pouco atractivo, se revelou um restaurante onde se come "á grande e á portuguesa", o que quer dizer boa qualidade, quantidade e atendimento.
Foi só no dia seguinte que pudemos ter o prazer de explorar a casa e conhecer os proprietários. A D. Fernanda acolheu-nos como uma mãe, estivemos um bom bocado á conversa até que ela nos deixou ir tomar o pequeno-almoço e prepararmo-nos para sair, enquanto ela nos preparava um piquenique feito apenas com produtos locais. O marido da D. Fernanda também foi muito prestável, sempre com muita simpatia desenho-nos um croqui muito detalhado com os locais mais espetaculares para visitar na serra do Gerês.
Partimos dois dias depois com a vontade de voltar o mais brevemente possível, e enquanto não volto vou aconselhando esta casa a quem quiser ter umas férias para descansar e aproveitar tudo o que a serra do Gerês tem de bom. Já há algum tempo que tenho andado com um sentimento de dívida por ainda não ter escrito nada na internet sobre esta casa rural que me marcou, principalmente depois de ter lido vários comentários negativos e acusações muito graves sobre o local. As denúncias iam desde "manchas de sangue nos lençóis", a "casa de banho cheia de humidade" passando por outras tão más ou piores. Confiei nas boas críticas e fui lá. Pela minha experiência, as denúncias estão bem longe daquilo que é a realidade. A mesma pessoa (que tinha alguns pseudónimos) fez até uma lista detalhada, e muito conhecedora das condições impostas a uma casa de turismo, das falhas da quinta do Sorilhal, o que me fez questionar se estes comentários não seriam "estratégias" da concorrência para deitar a baixo as boas revisões que a casa tem na internet. Infelizmente, não é uma prática muito rara no que diz respeito a concorrência, seja em que área for.
No entanto, a minha convicção é que a Quinta do Sorilhal não vai perder clientes, porque quem vai lá uma vez, com certeza vai querer voltar. Podem contar com a minha fidelização.