sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

'O Vinho é que Instrói' é o Pregão Cada Vez Mais Certo


Prémios de perder de vista, Lisboa menina e moça no top do turismo, a Invicta idem, o país vai mal mas é fancy, chic, trendy, e outros tantos adjectivos em itálico e a boa vida que por cá se parece ter é laidback, apesar de tudo. E "apesar de tudo" são os modos em que tentamos (pelo menos eu tento) levar uma vida descontraída e com prazeres que nos façam felizes. Aí o vinho é rei e senhor e o que é certo é que o vinho é uma herança forte no nosso país e eu, como patriota que sou, desde que comecei a apreciar este néctar sempre o quis conhecer melhor. Para meu gáudio, o falatório todo fez saltar ferramentas muito fixes, entre guias e app's, que facilitam esse ébrio reconhecimento. Sou particularmente fascinado pela "regionalidade" do vinho e pelo facto de ser transversal ao Dom na herdade e ao Zé na taberna, despertando uma curiosidade que me levou a descobrir que a região vinícola demarcada mais antiga do mundo é portuguesa, com certeza.

Decretada pelo Marquês de Pombal, em 1756, a Região Vinhateira do Alto Douro é única nas virtudes do solo xistoso aliado à exposição solar privilegiada, com as características ímpares de uma paisagem cultural, rodeada de montanhas que lhe dão as características mesológicas, climáticas e perlimpéupéu particulares desta região e tal.

Embora esse seja imprescindível o milagre científico, o que me cheira a vinho é o trabalho árduo do homem do Douro, grande conhecedor do produto de excelência que tem uma origem tão humilde nesta terra. com mãos calejadas e pernas manchadas da uva. 

Na paisagem do alto douro vinhateiro, património da UNESCO desde 2001, que reúne o carácter único do território à relação natural da cultura do vinho com a oliveira e a amendoeira, a parte que toca ao homem torna-se óbvia na construção dos muros em xisto, que prolongam as encostas e a autenticidade do cenário de uma das regiões vinhateiras mais aclamadas do mundo, a mais antiga.

A Região Demarcada do Douro é onde se produzem os vinhos correspondentes às denominações de origem D.O.C. Porto e D.O.C. Douro e estende-se por 22 concelhos, o que corresponde a 250 mil hectares. 24 mil desses hectares são agora classificado pela UNESCO como Património Mundial, sendo a zona classificada uma fiel representação da diversidade do Douro, com as suas sub-regiões do Baixo Corgo, do Cima Corgo e do Douro Superior, criando medidas de ordenamento e gestão do território e de qualificação e valorização ambiental muito bem-vindas para o território. Esta classificação intensificou o tráfego fluvial de barcos de cruzeiro para turistas, as quintas, antes privadas e cerradas ao mundo, abriram as portas às Rotas do Vinho do Porto, o comboio histórico regressou à Linha do Douro e os desportos náuticos passaram a ser uma constante nas águas fluviais. Parece-me prova suficiente que o vinha faz bem à saúde.

O mundialmente célebre vinho do Porto, cujas origens remontam à segunda metade do século XVII, altura em que a iguaria começa a ser produzida e exportada em quantidade, especialmente para a Inglaterra, tem sido alvo de adulteração em vários momentos na história, tendo sido criadas várias formas de proteger esta região, antes do largo contributo da UNESCO, como a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, criada em Setembro de 1756, que promoveu a colocação de mais de 300 marcos pombalinos, que delimitavam a região, ou seja, o tão aclamado momento histórico em que foi demarcada a primeira região vinhateira no mundo.

Graças à constante atenção dada a este ouro português, é possível hoje apreciar, com qualidade, 'várias variantes' (tropeça a língua) do vinho do Porto, como o Lágrima, um branco que pode ser seco, doce ou muito doce e que chega ao mercado depois de três anos de estágio, o Ruby, um tinto também amadurecido, tradicionalmente, por três anos, o Tawny, que envelhece cerca de 5 anos em cascos de carvalho antes de chegar a garrafa, os de Estilo Vintage, que podem ser apreciados logo após o engarrafamento, os Crusted, envelhecido em casco durante 2 ou 3 anos e por mais 3 ou 4 em garrafa, antes de ser consumido e ainda os premium Late Bottled Vintage, que resultam apenas de colheitas de boa qualidades passa entre 4 a 6 anos em cascos antes de ser engarrafado e os Real Vintage, que nem todas as vindimas podem gerar, uma vez que são resultado de uma reunião de excepcionais condições climáticas que permitem maturações ideais em anos de excelência.

Seja por este afamado Vinho do Porto ou pelos mais recentemente reconhecidos vinhos de mesa de grande qualidade, o rio Douro e os seus afluentes, os muros de xisto, suportam alas de videiras carregadas com cachos de uva branca ou tinta, verdadeiro símbolo da região, que não só alteraram a paisagem como o ritmo da vida dos durienses, com Inverno calmo, uma primavera e verão cheios de vida e actividade dos visitantes, que dão lugar à azáfama das vindimas, no outono, com o descer e subir de cestos e tesouras de poda, nas encostas repletas com os árduos trabalhadores durienses.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Música do Dia - José González/How Low

Uma rubrica que, para além de me obrigar a uma publicação diária, reflecte algo que já é normal no meu dia a dia. Ou porque é a música que me está na cabeça quando acordo, ou porque é a primeira música que realmente me faz acordar quando já estou a trabalhar, ou aquela cuja letra vou a reflectir no caminho para o trabalho, ou simplesmente a que me fez, por vezes com uma simples nota, levantar os pelinhos dos braços, uma reacção física à emoção que me fascina e cuja explicação lógica ignoro.



Montado num mustangue com uma pelagem acetinada e de um tom profundo de chocolate, a chuva cai forte e as nuvens negras no horizonte são constantemente rasgadas pela fulminante luz dos relâmpagos enquanto atravesso, a galope, a ponte que transpõe a fronteira entre o faroeste e o México. A banda sonora torna o ambiente de Red Dead Redemption quase real quando a aquela afinação de guitarra tão distinta da sonoridade de José Gonzaléz começa a soar. "Far Away" é o tema que se faz ouvir nesse ponto de viragem da história deste grande jogo da Rock Star, que apresenta, para mim, das melhor imagem da história dos videojogos.

A música teve tal impacto que fui tentar descobrir mais acerca deste sueco com um nome que tem tanto de nórdico quanto eu tenho de milionário, fruto das suas origens argentinas. O uso de uma afinação muito característica torna as suas melodias mais graves e introspectivas, que assentam que nem uma luva em letras com uma mensagem de revolta tão hábil e subtil quanto este tema que agora vos faço chegar.

How low are you willing to go
Before you reach all your selfish goals
Punch line after punch line
Leaving us sore, leaving us sore

Absorbed in your ill hustling
Feeding a monster, just feeding a monster
Invasion after invasion
This means war, this means war

Someday you'll be up to your knees
In the shit you see
All the gullible that you mislead
Won't be up or it

Where to, will you relocate
Now that it's war, now that it's war 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Música do Dia - Natiruts/Deixa o Menino Jogar


Uma rubrica que, para além de me obrigar a uma publicação diária, reflecte algo que já é normal no meu dia a dia. Ou porque é a música que me está na cabeça quando acordo, ou porque é a primeira música que realmente me faz acordar quando já estou a trabalhar, ou aquela cuja letra vou a reflectir no caminho para o trabalho, ou simplesmente a que me fez, por vezes com uma simples nota, levantar os pelinhos dos braços, uma reacção física à emoção que me fascina e cuja explicação lógica ignoro.





As vibrações do reggae dos Natiruts tem vindo a ficar cada vez mais influenciadas pela boa interpretação do MPB que os grandes músicos de nova geração do Brasil andam a fazer. Esse facto é notável no Acústico de Natiruts, onde músicas de sempre parecem fazer ainda mais sentido do que nos seus álbuns de origem. Deste lado do atlântico partilhamos o mar, a devoção religiosa e laços suficientes para compreender cada mensagem de imposição da paz e do amor nos meios mais revoltados. Esta é para mim a mais terna mensagem social dos nossos irmãos do outro lado do mundo, onde a profundidade poética e musical se igualam perfeitamente. 

Esta Black Cow Vodka Pormete Ser Moooo'ito Boa

Visto neste perspectiva talvez não tenha muito valor notícia, mas é a maneira mais genuína de vos contar isto: Descobri uma nova maneira de acompanhar os cereais do pequeno almoço! Tudo porque há um queijeiro em West Dorset, na Inglaterra, que se cansou de estar sempre a fazer o mesmo cheddar e inventou a primeira vodka exclusivamente feita com leite, a Black Cow. Jason Barber, o inventor deste néctar, jura a pés juntos que isto é tão bom que nem dá ressaca. Portanto, agora o Chester chooses chestnuts, Cheddar cheese, and vodka e eu vou-me comprometer a testar essa teoria.

A lâmpada por cima da cabeça de Barber acendeu-se enquanto se cultivava em frente à sua Idiot Box e tropeçou num documentário sobre uns serranhos siberianos que se embebedavam com leite de iaque fermentado. Não sei como, mas Barber conseguiu transformar a ideia de beber iogurte estragado num destilado muito aberto a cocktails de luxo. Essa ideia demorou três anos a aperfeiçoar mas lá saiu a um preço que ronda os 50€ a garrafa de 70cl.

Depois de explicadinho o processo nem parece assim tão complexo nem me cheira a azedo. Qual Macgyver a escapar do deserto, esta vodka começa da mesma forma que o queijo: separa-se o coalho do soro e, enquanto o primeiro vira cheddar, o segundo é fermentado tal como uma cerveja, com todos os extras que levam à sua levedura. Assim que os açúcares do leite se transformam em álcool, o processo é semelhante à maioria das bebidas espirituosas, a bebida é destilada, é adicionado um mix especial (o segredo do chef) para equilibrar sabores e graduação, é filtrado três vezes e engarrafado numa garrafa toda catita para encarecer a matéria. Nada como ver e ouvir pelo próprio.

Não há caviar de Beluga nem estepes geladas nas paisagens desta vodka, mas um mais simpático quadro campestre Inglês, onde as 250 vacas deste queijeiro empreendedor passeiam por prados verdes e saudáveis. A realidade em que se enquadra esta bebida tão pouco tipicamente produzida nestas partes é tão preciosa, que o leite destes simpáticos animais já deu a Barber o prémio de Melhor Cheddar do Mundo em 2012. Em suma, parece-me mais barato e mais do meu género acompanhar um shot de vodka com um naco de queijo do que com um canapé de caviar... e se não der mesmo ressaca, por mim está comprado!


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Música do Dia - Archive/Meon

Uma rubrica que, para além de me obrigar a uma publicação diária, reflecte algo que já é normal no meu dia a dia. Ou porque é a música que me está na cabeça quando acordo, ou porque é a primeira música que realmente me faz acordar quando já estou a trabalhar, ou aquela cuja letra vou a reflectir no caminho para o trabalho, ou simplesmente a que me fez, por vezes com uma simples nota, levantar os pelinhos dos braços, uma reacção física à emoção que me fascina e cuja explicação lógica ignoro.





Ainda me faz lembrar os primeiros anos da SIC Radical, que era, então, mesmo radical, a apresentar programas que rompiam com aquilo que se fazia na TV portuguesa. Trouxe-me grandes referências como TV Funhouse, The PJ's, animes como Escaflowne, Cowboy Bebop e Trigun, o então irreverente Howard Stern, mas também me apresentou clássicos de culto como Twilight Zone. A música era o atributo mais especial, passando tudo o que não era mainstream e MTV, foi nessa altura que ouvi Archive, com o tema Again, e depois ia a correr ao Napster pôr a sacar os videoclips que gostava mais, que demoravam um dia inteirinho a descarregar. 

Naquela alltura não era fácil pôr as mãos em música que fosse mais alternativa e estes Londrinos do post-rock eram difíceis de agarrar. Com muita pesquisa lá se arranjou meia duzia de singles e vibrava com todos, este em particular. Hoje, sem querer, até tropecei na discografia completa, em pleno youtube, e fui logo recordar. E é assim que chega mais uma música do dia!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

300 Boas Maneiras de Encher a Garrafeira

A DECO Proteste lançou, no dia 9 de Outubro, o Guia de Vinhos Proteste 2015,  que se apresenta como uma ferramenta para que o consumidor final, seja ou não um entendido nos detalhes deste néctar, tenha acesso aos resultados do estudo que classificou uma selecção de 300 vinhos que podem ser facilmente encontrados no mercado português e com preços até um máximo de 15 euros. Os vinhos foram analisados por especialistas através de prova cega e análises laboratoriais no primeiro semestre deste ano, com a isenção e independência que já é reconhecida da DECO. 

A cerimónia de lançamento decorreu no Convento de Cardaes, em Pelno Bairro Alto, onde estiveram presentes Rodolfo Tristão, Presidente da Associação de Escanções de Portugal e Escanção da 1300 Taberna, que esteve na mesa de provas dos vinhos tintos, e Adelino Madeira, Maitre e Sommelier (que é a mesma coisa que dizer escanção mas que soa mais pomposo) do Restaurante Tavares Rico e gerente do Wine bar The Corkscrew, responsável pela mesa dos vinhos brancos, onde se puderam provar as colheitas mais bem cotadas no guia, nas categorias “Melhor do Teste” e “Escolha Acertada”.

Esta edição do guia apresenta um Dossier especial de Vinhos Tintos do Alentejo, que distinguiu o Vinha da Defesa Touriga-Nacional e Syrah 2011 e o Quinta do Carmo 2011 como os dois “Melhores do Teste” e ainda cinco “Escolhas Acertadas” de entre 85 vinhos. Entre os 110 Vinhos Brancos testados, os técnicos responsáveis pela classificação elegeram o Soalheiro Alvarinho como “Melhor do Teste” e mais cinco “Escolhas acertadas”, das regiões do Minho, Península de Setúbal e Alentejo. 



Já dos 105 Tintolis, foram escolhidos o Quinta do Falcão 2012 IG Tejo, o Casa Santos Lima Syrah 2011 IG Lisboa, o Porca de Murça Reserva 2011 DO Douro e o Frei João Reserva 2011 DO Bairrada como “Melhores do Teste” e mais três “Escolhas Acertadas”, das regiões do Douro, Bairrada, Península de Setúbal e Lisboa e Vale do Tejo. 

O responsável de projectos da área alimentar da DECO Proteste e Coordenador técnico deste guia, Nuno Dias, explica que “Este Guia de Vinhos é diferente de todos os outros, pois para além das tradicionais provas, também contempla análises químicas e um estudo aprofundado de preços”, mostrando também uma preocupação séria com a segurança alimentar, como até exemplificou com a luta pela redução dos sulfitos, um produto do enxofre que conserva o vinho mas que é irritante para o organismo, sendo o responsável por ressacas de vinho manhosas. Nuno Dias elucidou que a lei era muito permissiva para com o uso desta substância e que a DECO conseguiu sensibilizar os produtores para a sua redução. 


Para além dos testes, o guia apresenta também um capítulo introdutório que explica o processo do vinho desde a videira ao momento da prova, aprofundando o conhecimento do tema, da mesma forma que faz uma análise detalhada das características das principais regiões vitivinícolas de Portugal, de uma forma que mesmo o Tó da Tasca podia saber um bocadinho mais sobre o que está dentro do biberão que passa o dia a vazar. Id Est, explica tudo desde o ciclo da videira e os seus abrolhamentos, uma palavra nova que eu aprendi e que faz lembrar uma coisa de que muita gente precisava, explicando o processo de produção de alguns vinhos especiais como o espumante ou os licorosos, até à forma correta de servir o vinho.


 Os anexos do Guia apresentam ainda o comparador de vinhos online, no website da DECO Proteste, assim como Vales de Desconto para utilização nas garrafeiras indicadas, uma vantagem exclusiva para um grupo a que eu só agora ponderei pretencer: os assinantes DECO Proteste.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

'O Lord, How Many Are My Foes' as Written by Chris Eaton

Since I was a child I've been told that singing to God is twice a prayer. Chris Eaton's version of a popular wartime prayer as become my own, as I hear the trumpets make his voice rise to the heavens above. This is how I ask for self awareness today: 








O, lord how many are my foes?
Can you smack them with your mighty blows,
And knock the lights out of all of those who dwell in me?

And where’s the one that I love best?
Why have you put me through this test?
Am I Cursed or am I blessed? In this my strike!

O, lord how many are my foes?
Can you count them on your mighty toes,
Or am I the only one of those that’s a threat to me?

For one like me, as troubles double fold
So the story goes, my mother told
Make me strong and make me further bold

To deal with life